Saúde

Publicado em 7 de agosto de 2017 | por Nosso Jornal BM

Em pesquisa, 21% dizem que exame de toque retal não é ‘coisa de homem’

O exame de toque retal, essencial na detecção precoce do câncer de próstata, “não é coisa de homem” para 21% da população masculina no país e “não é necessário” para 38% dos homens com mais de 60 anos, que têm maior risco de ter a doença.

É o que aponta uma pesquisa Datafolha encomendada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), pelo Instituto Oncoguia e pela farmacêutica Bayer e realizada entre junho e julho deste ano em sete capitais brasileiras.

A enquete faz parte de uma campanha de conscientização de câncer de próstata organizada pelas três entidades para e que conta com a participação de jogadores de futebol. Por isso, foram entrevistados 1.062 homens com 40 anos ou mais que estiveram em estádios de futebol nos últimos três meses.

“É difícil encontrar um homem que não seja torcedor de algum esporte”, afirma Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, sobre a escolha da amostra. A ideia é deixar o tema, ainda tabu, mais leve, acessível e próximo do universo masculino.

A pesquisa mostra que 35% dos homens entre 50 e 59 anos nunca fizeram o exame de toque retal. Nesse grupo, 26% afirmam não considerá-lo importante ou necessário. Entre os que têm mais de 60 anos, a taxa de quem nunca fez o exame é de 27%.

Sabendo-se da importância do toque retal para auxiliar no diagnóstico de um possível câncer de próstata –o segundo mais comum no sexo masculino–, por que, então, os homens ainda não procuram ou desconsideram a importância do exame?

As respostas mais frequentes a essa pergunta foram “machismo” (48%) e “não é coisa de homem” (21%).

“É algo que parece enraizado no sujeito. Ouço coisas como ‘macho é macho’, ‘aqui ninguém mete a mão'”, afirma José Cury, urologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

O presidente da SBU afirma que o toque retal, junto ao exame de PSA –que mede a substância produzida pela próstata que, em caso de infecções ou câncer, apresenta níveis aumentados–, são a forma de detectar a doença.

“O exame é simples, leva só alguns segundos e não necessariamente é feito em todas as visitas ao urologista”, lembra Archimedes Nardozza, presidente da SBU.

Hotz diz ficar preocupada que, mesmo em grupos de pacientes com câncer de próstata, ainda existam brincadeiras relacionadas ao exame e à possibilidade de impotência após o tratamento.

“Mesmo diante de um amigo que está enfrentando o problema, esse tipo de brincadeira acontece”, diz Hotz. “Isso atrapalha a conscientização.”

SUPER-HOMEM

A maioria dos participantes do estudo (77%) afirma ter cuidado bem da saúde ao longo da vida. Isso, porém, contraria outro dado levantado: 38% dos entrevistados disseram que não frequentam o urologista por acharem que estão saudáveis (34%) ou por não considerarem importante (15%).

“O homem acha que é um super-homem. Só procura o médico quando está muito doente”, diz Nardozza. O ideal, segundo o presidente da SBU, é que, a partir dos 50 anos, os homens frequentem o urologista uma vez ao ano. Se for negro ou se houver antecedentes paternos de câncer, é importante a visita a partir dos 45 anos.

Holtz classifica como um desafio conscientizar a população masculina da necessidade cuidar da própria saúde. Segundo ela, hoje mais de 60% dos casos de câncer de próstata são descobertos em estágios avançados.

As mulheres, de acordo com os especialistas, são grandes aliadas nos cuidados de saúde e incentivam os homens a procurar o médico.

“Os pais normalmente não falam para os filhos que é necessário ir ao urologista uma vez ao ano. Mas, com certeza, as mães falam para as filhas que elas precisam ir ao ginecologista”, diz Nardozza.

Cury afirma ainda que, no início do câncer –momento em que o tratamento pode ser mais efetivo–, pode não haver sintomas perceptíveis, o que aumenta a importância da prevenção.

Com a campanha, Holtz quer convencer quem ainda acha que toque retal é um problema que manter a saúde em dia é coisa de homem.

Foto: Reprodução

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