Cinema

Publicado em 12 de setembro de 2017 | por Nosso Jornal BM

Estréia de It recupera fôlego de bilheterias

It: A Coisa fez mais do que assustar o público em seu fim de semana de estreia. Com estimados 123 milhões de dólares em caixa, a produção baseada na obra de Stephen King pulverizou um punhado de recordes, marcando a maior estreia de um filme de terror da história (mais que o dobro do antigo recordista, Atividade Paranormal 3), a maior abertura de um filme no mês de setembro e, pra completar, se colocando como a quinta mais renda para um filme do gênero – isso só com três dias em cartaz –, abrindo espaço para atropelar Invocação do MalA Bruxa de BlairCorra! e O Exorcista. Mérito do diretor Andy Muschietti, que de fato construiu um filme elegante e assustador. E reflexo também de um ano em que os fãs de cinema ansiavam por um lançamento de qualidade para investir seus trocados.

Afinal, It abre a temporada do outono ianque depois que o geralmente avassalador verão americano deixou o público em casa, fechando o caixa com números decepcionantes. Ou melhor: terríveis! Foi a pior temporada nos cinemas em mais de uma década. Os números no mercado americano fecharam em 3.83 bilhões de dólares, uma queda de 14,6 por cento em relação a 2016. Para ver um resultado pior, o DeLorean tem de retroceder até 2006, quando Superman – O RetornoX-Men: O Confronto Final e O Código DaVinci contribuiram para uma renda de 3.7 bilhões. Com a poeira longe de assentar, executivos de estúdios e donos de redes de cinemas começam o jogo de apontar os dedos. Afinal, por que o público em geral preferiu a poltrona de casa do que a experiência coletiva da sala escura?

Não existe uma resposta definitiva. Shawn Robbins, analista do site BoxOffice.com, aponta para a falta de animações que mobilizar o público, um volume exagerado de “franquias” feitas às pressas e sem qualidade, e a ausência de comédias de sucesso. Em outras palavras: pouca diversidade. As continuações excessivas também foram apontadas como o vilão da história. Jeff Bock, que também estuda a ciência nada exata das bilheterias no mercado americano, diz que os estúdios se escoram demais nas continuações, e que, “à exceção de Guardiões da Galáxia Vol. 2, todas desapontaram”. É um fator, claro, mas não é “o” fator. Afinal, Homem-Aranha: De Volta ao Lar foi um sucesso, e Meu Malvado Favorito 3 foi o único filme lançado durante a temporada do verão que bateu 1 bilhão de dólares nas bilheterias mundiais – e o terceiro do ano, atrás de A Bela e a Fera e Velozes & Furiosos 8, ambos lançados antes do período de férias ianque.

Risco e acaso ainda fazem parte do jogo. Sucesso de crítica, por exemplo, nem sempre é garantia de sucesso de público. Para cada Mulher-MaravilhaEm Ritmo de Fuga ou Dunkirk, que ganharam aplausos dos especialistas e milhões nas bilheterias, outros lançamentos que mobilizaram a crítica, como DetroitAo Cair da Noite e o ainda inédito no Brasil Roubo em Família, foram recebidos com indiferença. Já Emoji – O Filme foi massacrado pelos analistas, mas se converteu em um sucesso de 170 milhões de dólares em todo o mundo, mais que triplicando seu orçamento. No fim, foram mesmo as grandes apostas que derrubaram os números com violência: o jogo dos grandes blockbusters há tempos deixou de ser para quem não tem bala. Os estúdios estão gastando mais em menos filmes, o que resulta em sucessos arrasadores – e fracassos do mesmo naipe. Em uma realidade com público tão pulverizado em tantas plataformas, a aposta é em grandes espetáculos. No fim, a estrutura da indústria se apoia em menos filmes, e o sucesso moderado, embora impulsione os números, não causa uma explosão.

O resultado desse pensamento é um Rei Arthur: A Lenda da Espada custando 175 milhões de dólares e faturando pálidos 39 milhões nos EUA, com a renda global estacionando em 148 milhões – provavelmente o mais desastre da temporada. BaywatchPiratas do Caribe: A Maldição de SalazarAlien CovenantTransformers: O Último CavaleiroA Múmia e Valerian e a Cidade dos Mil Planetas seguiram na mesma corda bamba. É fato que o público não está cansado de continuações, ou reboots, ou franquias. O público quer filmes originais e ideias surpreendentes, mas também abraça tramas e personagens familiares. No fim, o que o fã de cinema busca é sair da apatia, é não entrar no cinema e sair indiferente. Afinal, a competição de verdade não vem do filme do estúdio concorrente, e sim de outras mídias. O hype esse ano não era descubrir o filme imperdível para juntar a turma e ver no cinema: era falar sobre o último episódio de Game of Thrones.

O que nos traz de volta a It: A Coisa, e seus 123 milhões de dólares de estreia. O filme é um terror sólido, com pedigree e chegou ancorado numa campanha de marketing eficiente. Mas também contou com um timing perfeito, em que o público de cinema simplesmente estava sedento por um produto que justamente o arrancasse da apatia. Ité o ponto de partida para recuperar os números de 2017, com ao menos quatro filmes entrando de peito aberto no jogo: Blade Runner 2049Thor: RagnarokLiga da Justiça e Star Wars: Os Últimos Jedi. Todos, por sinal, ou continuações, ou parte de uma série consagrada ou ambos. Vale apontar que, para a temporada de verão do ano que vem, o cenário não é tão diferente assim, com mais Star WarsVingadoresDeadpoolJurassic Park e Os Incríveis a caminho. Entre eles, um punhado de filmes médios e ideias originais. No fim da história, o que importa é a capacidade de cada um em mobilizar uma plateia ávida por experiência coletiva bacana. Será que todos aprenderam a lição?

Foto: Reprodução

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